Fé e Religião: A Complexidade de Não Ter Certezas Absolutas
Confesso que, quando me propus a produzir artigos para essa categoria do blog – Âmago, eu nunca imaginei redigir exatamente sobre esse tipo de assunto que estou trazendo agora: fé e religião. Embora, no fundo, no fundo, eu soubesse da complexidade que esses assuntos geram por se tratarem de temas completamente sensíveis a uma sociedade que ainda caminha rumo a uma tolerância aceitável à diversidade de opinião, minha intenção aqui não é defender uma ideia em absoluto – mesmo porque me considero mais uma pessoa composta por questionamentos e possibilidades do que certezas absolutas.
Como pessoa curiosa que sempre fui, quando eu encano com alguma coisa, gosto de me esgotar em pesquisas e mais pesquisas, até que eu adquira um entendimento confortável que condiga com quem realmente eu sou (agora) e com o que eu realmente acredito fazer sentido para a minha vida.
Me alegra pensar que, mesmo entusiasta de diversas formas de expressão, a escrita ainda é a que mais me alinha a esses objetivos desafiadores. Com ela, eu necessito interpretar meus sentimentos, arrumar palavras que cheguem o mais perto da sua fiel tradução, para, enfim, trazer tudo à luz em formato de texto. Nem sempre é fácil, nem sempre eu consigo. Para alguns assuntos, eu escrevo com uma naturalidade bizarra. O artigo simplesmente brota, em coisa de nem dez minutos. Para outros, as palavras simplesmente evaporam do meu dicionário de sentimentos. Não é à toa que dizem que a escrita é uma ferramenta poderosíssima em um processo terapêutico. Insanidade da minha parte seria se eu discordasse sequer de uma letra dessa frase.
Superando o Medo de Discutir o Sensível Sobre Fé e Religião
Pensando nessa minha mania de dissoluções internas por meio de pesquisas, leituras, terapias, escritas, dentre outras, duas razões me levaram a trazer esses assuntos para o blog. A primeira, a que eu não sei ao certo como isso vai impactar você, leitor, confesso que me promove um desconforto até bem grandinho, pelo menos inicialmente. Por mais que seja uma opinião talvez majoritária em nossa sociedade e, que por muito tempo a respeitei (e permaneço na posição de continuar respeitando), o ditado popular de que ‘religião, política e futebol não se discutem” me traz a insegurança do ‘estar fazendo o certo ou não’.
Maaaas, pensando na importância que atribuo a segunda razão dessa minha escrita, a primeira parece simplesmente perder um pouco de sua força sobre mim. A insegurança que me bate vai, aos poucos, caindo por terra quando penso que a ideia central dessa categoria é simplesmente a minha liberdade de expressão e o compilado das minhas ideias, buscas, pesquisas e reflexões pessoais. Coisas que, para mim, fazem sentido. E, nesse ínterim, de tentativas, acertos e erros dessas minhas resoluções internas e tão pessoais, reconheço que a vida é feita de trocas e, se o ponto de vista de uma pessoa tem o poder de me fazer refletir sobre meu modo de ser, pensar e estar nessa vida, porque as minhas reflexões não poderiam contribuir, de alguma forma, para a sua evolução também?
Além dos mais, mesmo que sendo assuntos tão controversos e polêmicos (outros podendo ser mais ordinários, claro), gosto de pensar nesses artigos como uma forma de acervo pessoal mesmo, ‘materializando’ na escrita todo meu esforço na compreensão de certas filosofias, e não apenas depositando em minha (por vezes falha) memória a atribuição de não deixar com que tudo cai no esquecimento com o tempo. Portanto, que fique claro: a intenção aqui não é discutir o ‘certo’ ou ‘errado’, mesmo porque, em meu mundo original, estas são questões relativas.
Por falar em relatividade, aqui acredito que mora uma das fontes de perturbações internas que carrego comigo nessa existência. Cara.. eu tenho extrema dificuldade em entender alguns assuntos e tomar partido deles. Não só pelo fato de ser geminiana – o que, por si só, provavelmente deve influenciar muito, mas principalmente pelo fato de que tomar para si verdades como sendo absolutas, quando se tem margens para questionamentos ou quiçá deveria existir a liberdade de pensar e expressar diferente, ecoam em mim mais como um perigo eminente do que qualquer outra coisa.
Assumo que, muitas vezes, eu me irrito, me estresso, até tremo de nervoso diante de situações assim. Eu me perco inteira. Mas, como ser humano em busca de evolução, são nessas horas que eu recorro a listar tudo o que pode e o que não pode ser, na minha visão, para aí eu buscar um entendimento sobre a questão.
Uma Conversa que Colocou Minha Fé e Autoconhecimento em Cheque
A decisão por escrever sobre fé e religião agora partiu de uma conversa com uma querida amiga, uma pessoa que também encontra-se nessa busca por autoconhecimento e que temos uma troca fantástica sobre nossas descobertas e desafios. Especificamente agora, nessa fase da vida, ela está muito voltada ao estudo da Bíblia e, quando eu compartilhei uma publicação aleatória de uma rede social que falava sobre um bar que reunia pessoas que estavam em buscas de conexões com o Divino delas por meio de rituais ancestrais diversos, ela me respondeu que não compactuava com nada daquilo, por não estar alinhada à fé cristã.
Quando eu li a mensagem, senti um desconforto de origem desconhecida e também uma leve estranheza, visto que nossos papos sempre foram muito abertos e cheios de possibilidades e descobrimentos. Preferi não responder no momento, sem que antes pudesse minimamente reconhecer o motivo daquele sentimento tão desconexo dentro de mim. No dia seguinte, enchi-me de consciência e decidi que não levaria aquele papo adiante, mesmo sabendo que era uma pessoa com quem eu poderia conversar abertamente sobre esse tipo de coisa. Apenas respondi que, se não fazia sentido para ela, não tinha realmente o porque, e comentei que só compartilhei aquele post pensando no princípio da espiritualidade e não religião.
Talvez você se interesse por esse artigo: A Sabedoria Silenciosa da Intuição
Imaginei que o assunto fosse se encerrar por ali… coisa que, se estou aqui escrevendo sobre isso, obviamente não aconteceu. Ela seguiu comentando que já foi espírita, já participou de algumas sessões da umbanda, foi batizada na igreja católica e agora está sem religião nenhuma, e está sendo o momento em que ela mais se sente conectada a Deus, por entender que ela pode conversar diretamente com ele, sem intermediários. Comentou também que algumas religiões seguem o que está na Bíblia e outras não e, daí, vai de cada um entender se quer uma religião que siga a Palavra ou não. Finalizou esse trecho da conversa me perguntando: “Religião que segue o que está na Bíblia é algo que é importante para você ou isso não importa?”
Paaammm (o barulhinho de erro do Windows)! Buguei exatamente aí! Sabe aquele momento na vida em que você não sabe se ri ou se chora?
Depois disso, todas as outras coisas que vieram em seguida só pioraram o nó na minha cabeça.
O Manual da Vida e o Senso Comum do Bem
Em uma conversa anterior a essa, em se tratando de fé e religião, concordamos que a Bíblia seria praticamente como um ‘manual da vida’. E, apesar de nunca a ter lido por completo e, consequentemente, conhecer apenas trechos dela, eu realmente acredito nisso. E me coloquei a pensar que a coisa, para mim, ia além, e não fazia sentido restringir ‘apenas’ a isso. A coisa estava rasa demais.
Eu admito que também não conheço a fundo outras religiões, mas conheço algumas máximas e ensinamentos de algumas delas. Mas um questionamento em mim que tem muita força é: não seria possível que muitos dos ensinamentos do budismo, por exemplo, que falam sobre mente, compaixão e resiliência, também não estejam inseridos na Bíblia, embora o Budismo não a siga propriamente? Internamente, era como se eu me deixasse ser conduzida pelo preceito genuíno de que: estando ou não na Bíblia, esses assuntos me pareciam, por senso comum, serem do bem. E pra mim, isso também importa!
Respondendo tudo isso para minha amiga, ainda, complementei meu pensamento dizendo que, mesmo as pessoas que já leram e releram a Bíblia diversas vezes, a interpretação muda de acordo com a maturação pessoal, mudança de contexto e até mesmo foco e observância, ainda mais considerando que Jesus falava por parábolas. Se, na época, nem todos entendiam, porque seria diferente, nos dias de hoje?
Ao longo da conversa, ela acabou me apresentando diversas passagens bíblicas (inclusive citando os nomes dos livros e seus versículos) que, pelo contexto da conversa, entendi até que seria para demonstrar como algumas coisas, pessoas e religiões vão contra o que diz a Bíblia, como por exemplo:
- Sobre consultar os mortos: “Não voltareis para os que consultam os mortos nem para os feiticeiros; não busqueis para não ficardes contaminados por eles. Eu sou o Senhor vosso Deus” – Levítico 19:31
- Sobre nem tudo que parece bom ser verdadeiramente bom (exemplo: usar de rituais que parecem ser para o bem, mas que fazem o mal para outras pessoas; ou então, pessoas que usam a Bíblia de maneira distorcida para manipular pessoas): “E não é de se admirar porquanto o próprio Satanás se disfarça em anjo de luz” – Coríntios 11:14
- Sobre adorar coisas e pessoas: “Não terás outros deuses além de mim” – Êxodo 20:3 – essa menção, em específico, foi para me responder o que comentei anteriormente sobre as diferenças de interpretação da Bíblia e ela me respondeu que, embora algumas interpretações sejam diferentes de pessoa pra pessoa, alguns ensinamentos são diretos e não apresentam margem para outras interpretações se não como ela é de fato, literal (“Não adorarás outros deuses” e ponto).
Procurei ser bastante específica e trazendo os pontos tocados durante essa conversa sobre fé e religião, inclusive citando as passagens bíblicas que constaram no diálogo, justamente para dizer que serão também sobre elas que eu falarei nos próximos artigos. Eu as analisei cuidadosamente, uma a uma, e cheguei a diversas conclusões pessoais muito esclarecedoras. Estou feliz em compartilhá-las aqui com você.
Entre o Coração e a Lógica: Uma Interpretação na Raiz
Confesso, essa conversa mexeu comigo de uma maneira muito ph0da! Não necessariamente pelo que ela estava relatando sobre a sua crença. Ela pode acreditar no que ela quiser, e está tudo bem! Mas tocou em pontinhos que eu ainda não tinha buscado a minha interpretação própria na raíz. E eu me senti mal simplesmente por parecer estar em cima do muro. Nem pra lá, nem pra cá. Indefinida. Me senti como a pessoa que diz acreditar na Bíblia, mas a “trai” por também aceitar as diversas outras formas de manifestação das outras religiões.
Meu coração me dizia que estava tudo bem, mas a minha razão, meu senso lógico, me dizia que estava tudo fora do lugar, sem respostas concretas. Foi aí que comecei meus estudos sobre a questão e fiquei maravilhada com as descobertas nesse caminho!
Se quiser saber o desfecho dessa minha reflexão, acompanhe os próximos artigos!

